Novas regras proíbem as associações médicas de recomendar a compra de produtos. As mudanças não param por aí. Mexem também com a relação entre médicos e laboratórios farmacêuticos e com nossa relação com os médicos em questões éticas e comerciais.
Como o paciente era antes e como ficou depois – tem gente que vai atrás do tratamento iludido por imagens. Mas agora os médicos não podem mais expor os pacientes. Os médicos também estão proibidos de fazer propaganda dando garantia de sucesso para produtos e tratamento e não poderão oferecer assistência médica à distância, por telefone ou internet. “Eu estou operado. Qualquer problema que eu tenha, eu ligo para o medico e ele me dá uma orientação”, conta o securitário João Bosco. “À distância é um negócio muito perigoso. Acho que é coisa boa proibir”, opina o publicitário Francisco Martins.
Outra mudança, esta nos supermercados: alguns produtos como margarina, cereais e iogurtes trazem recomendações como o selo da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Há também produtos recomendados pela Associação Nacional de Assistência aos Diabéticos (ANAD). Nenhum mais será permitido.
Há novidades também na relação dos médicos com a indústria farmacêutica para evitar conflitos de interesse. Nada de congressos em lugares próprios para turismo, como navios de cruzeiros. Os laboratórios ficam proibidos de pagar despesas de lazer dos médicos e parentes e só poderão oferecer brindes de, no máximo, R$ 207, ou seja, um terço do salário-mínimo.
“Não é possível imaginar que a indústria de medicamentos não converse com o médico e o médico não converse com a indústria de medicamentos. Mas como pode ser essa conversa? Pode patrocinar ou não? Pode convidar para eventos? Pode oferecer um almoço? Parecia que podia, parecia que não podia. Então, vamos tentar estabelecer o limite entre o que pode e o que não pode”, afirmou Antonio Britto, presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa.
“Se um médico é convidado pela indústria para se aprimorar em um congresso, ele deve ir somente para esse aprimoramento. Deve ser exatamente naqueles dias em que ele estará presente no congresso. Deve-se cobrar sua frequência com um relatório. Quer dizer, as coisas ficam mais claras a partir de agora”, defende Roberto d'Ávila, presidente do Conselho Federal de Medicina.
O Conselho Federal de Medicina vai fiscalizar essa nova relação entre médicos e laboratórios e acompanhar de perto o cumprimento ou não delas.
Texto: Bom Dia Brasil
Nenhum comentário:
Postar um comentário